quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Matéria para o Diário Popular

MERCADO AQUECIDO COM A COPA DO MUNDO

(junho de 2010)

Em época de Copa do Mundo, já é normal haver um crescimento de consumo. O comércio, tanto o formal quanto o informal, sempre é aquecido com o evento. O grande número de preços e condições especiais e ofertas extremamente convidativas ajudam a elevar os números do crescimento.
Todos aproveitam este tempo de festa, não apenas para comprar, mas também para vender. “O produto mais vendido são as vuvuzelas, e depois vem os chapéus e as bandeiras”, diz o vendedor ambulante Breno Delmar. Ele ainda adiciona que as vendas estão maiores do que o esperado.
Para João Lucas, gerente comercial de uma loja de eletrodomésticos, as vendas também cresceram. “Televisores são os produtos mais procurados. Em relação ao ano passado, tivemos um crescimento de 13% a 14% na loja, e ainda projetamos mais 5%”, comemora ele.
Essa comemoração pode ser prolongada dependendo do desempenho da seleção na Copa. E se depender da torcida, os dois comerciantes estão bastante otimistas. “Até as quartas-de-final já é certo, e acho que o Brasil vai fazer a final com Espanha ou Alemanha.”, conta João. Já Breno, ainda mais confiante, afirma: “Esse ano é hexa, sem dúvida.”

(reportagem criada para curso criado em uma parceria do DP e a faculdade de letras da UFPEL; não foi publicada porque o jornal decidiu que não poderia gastar com papel extra para os encartes do curso)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O QUE É JORNALISMO?

Jornalismo / jor.na.lis.mo/ sm (jornal+ismo) / 1 A imprensa periódica. 2 Profissão de jornalista. 3 Os jornais.
(Dicionário Michaelis On-Line; acessado em 28/10/2010)

Journalism / dʒɜː(r)nə,lɪz(ə)m/ noun /[C] / 1 the activity or reporting the news for a newspaper, magazine, radio programme, or television programme: I plan to study journalism at college. / The article was an excellent piece of investigative journalism.
(Macmillan English Dictionary; consultado em 28/10/2010)

Antes de iniciar este trabalho, eu pensava por onde começar a explicar o que é o jornalismo. Normalmente, a maioria das pessoas associa a palavra com matérias jornalísticas, pelo próprio papel do jornal, pelo jovem com a caneta na orelha e com um bloquinho de folhas na mão, ou por um homem de meia-idade, com aspecto cansado (barba por fazer, olheiras), fumando, com as pernas em cima da mesa e perturbando todo mundo à sua volta, tal qual um J. J. Jameson gritando com um Peter Parker. Como Carlos Chaparro, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e doutor em Ciências da Comunicação, já havia dito no vídeo que assistimos em aula, “o saber prático da vida nos ensina a identificar os objetos, a tirar proveito das suas funções, mas quando nos pedem explicações sobre certas coisas que todos sabemos o que é, fica difícil dar explicações”.
Tais definições não estão totalmente erradas. A concepção básica e prática do jornalismo é essa, da reportagem, do texto jornalístico, das redações, etc. Porém, essa é uma definição muito simplista e romântica do assunto. Não se trata apenas de analisar os fatos, reportá-los e divulgá-los na mídia. O jornalismo é muito mais que isso.
Segundo o prof. Chaparro,

 o jornalismo, ele tem a ver com a vida. Por quê? Porque aquilo que é notícia só é notícia porque tem algum potencial de transformar a realidade. Então o jornalismo não lida com o efêmero, o jornalismo lida com a transformação”.

Com essa afirmação, nós entendemos porque o jornalismo é algo tão importante para a sociedade. As notícias de hoje refletiram o que passou, o que foi notícia ontem. Essa dinâmica faz com o que o jornalismo esteja sempre envolvido com as transformações do mundo e com a cronologia dos fatos.
Jornalismo para mim tem uma definição um tanto quanto poética. Se a sociedade fosse um ser humano, o jornalismo seria a sua visão. Sem o jornalismo, as pessoas não enxergam as coisas ao seu redor, e quando são privadas das informações jornalísticas, elas não sabem para onde ir, ficam perdidas tais quais cegos em um tiroteio, como diz o ditado. Assim como os olhos enganam algumas vezes e seja necessário olhar de novo prestando mais atenção a um fato ou objeto, o jornalismo segue essa mesma óptica. Alguns jornalistas faltam com a verdade, ou não são muito éticos às vezes. É necessário então dar mais rever o que aconteceu, ficar mais por dentro dos acontecimentos, pois o bom jornalismo tem também a função (alguns diriam “o dever”) de vigiar a sociedade, alertando sobre o que se passa à nossa volta e o bom jornalista se caracteriza sempre por ver através ou além dos fatos. 
É difícil determinar quando o jornalismo surgiu. O primeiro “jornal” tem sua origem em Roma. É dito que Júlio Cesar queria informar seu povo a respeito de fatos sociais e políticos ocorridos no império, tais quais campanhas militares, julgamentos e execuções de criminosos. Eram utilizadas grandes placas brancas para se escrever os acontecimentos, as quais eram expostas em algum lugar com grande movimento na cidade, como uma praça.   Esse ancestral do jornal foi chamado de Acta Diurna.
Avançando alguns séculos no tempo, chegamos à Gutemberg e a invenção da prensa, a qual revolucionou o modo de fazer livros e, como marco zero da imprensa, começou a difundir o conceito de jornal e inundou a Europa com periódicos (tradição, por sinal, mantida até os dias de hoje).
A partir do final do século XIX, começaram a surgir estudos aprofundados na área de comunicação, explicando efeitos e funcionamentos da comunicação social. Nas teorias do jornalismo, duas teorias ganharam grande destaque: a teoria do espelho e a teoria do newsmaking.
A teoria do espelho, segundo Nelson Traquina, “é a teoria mais antiga e responde que as notícias são como são porque a realidade assim as determina”. Segundo essa definição, entende-se que toda notícia que é divulgada deve apenas descrever fielmente o ocorrido, sem nenhum tipo de reflexão, como se fosse uma “fotografia” escrita, divulgando apenas a verdade dos fatos, não se importando com as consequências. Seguia a fórmula do 3Q+COP (QUEM fez o QUÊ QUANDO, COMO, ONDE e POR QUE), a qual primava pela objetividade, pois era dito que ela preservava o trabalho do jornalista. Essa teoria está relacionada com o desenvolvimento da indústria de jornais na virada do século XIX para o século XX, com o crescimento da circulação massiva e a internacionalização das notícias. Mesmo bem aceitada durante um tempo, essa teoria levantou dúvidas nos estudiosos. É possível refletir o fato por completo? Até onde o jornalista pode se eximir da subjetividade? São perguntas que são discutidas até hoje, devido a sua complexidade.
 Já a teoria do newsmaking tem um viés bastante diferente da teoria do espelho. Ela rejeita a ideia de reflexão da sociedade e defende o jornalismo como construção da realidade e introduz o conceito de valor-notícia. Esse conceito é explicado da seguinte forma: a quantidade de fatos que ocorrem no mundo é muito maior do que a quantidade noticiada pela imprensa, seria impossível noticiar todos os fatos. Por isso, para a criação das notícias, é necessário levar em consideração alguns critérios para a escolha dos fatos a serem noticiados, medindo seu grau de noticiabilidade através dos valores-notícia, os quais são divididos entre categorias substantivas (importância dos envolvidos, quantidade de pessoas envolvidas), relativas ao produto (brevidade, atualidade, novidade), relativas ao meio de informação (acessibilidade à fonte/local, formatação prévia de manuais, política editorial), relativas ao público (plena identificação de personagens, serviço/interesse público), e relativas à concorrência (exclusividade/furo, gerar expectativas). Mauro Wolf afirma que a seleção de fatos a se tornarem notícia está relacionada a três vertentes principais: a cultura profissional dos jornalistas, a organização do trabalho e os processos produtivos. A teoria sugere que produção de notícias deve ser planejada como uma rotina industrial. Seus procedimentos próprios e limites organizacionais devem ser levados em consideração. Assim, o jornalista é submetido ao processo produtivo, e dessa maneira a possível manipulação das notícias pelo mesmo é superada pelas imposições do processo produtivo. Ainda assim, o jornalista ainda fica sujeito a algumas interferências no processo, como o deadline, a preferência de determinados valores-notícia, o tempo/espaço disponível para determinada matéria, entre outros fatores.
Ao final do texto, é necessário ressaltar mais uma vez a importância do jornalismo para a sociedade. O jornalista tem o poder de buscar a verdade e fazer as pessoas enxergarem além do que se vê normalmente, ainda que também tenha o poder de alienar totalmente uma população e cegá-la em direção aos interesses dos grandes. São dois caminhos a seguir. O primeiro, ainda que mais árduo e sujeito a censura, exílio e ameaças de todos os tipos, ainda me parece mais digno. O segundo, ainda que mais fácil, tem armadilhas bem mais perigosas, e interfere na vida de muito mais gente do que se pensa. Resta a nós escolher.

(Trabalho para a disciplina de teorias do jornalismo , ministrada pelo professor Ricardo Fiegenbaum, outubro de 2010)